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Qualquer extremo serve...

Madrugada...
E eu aqui tentando tirar as marcas do meu corpo, a lembrança dos meus pensamentos, e jogar tudo no vento.
Não foi paixão, nem amor, nem tesão. Foi perda de tempo, e, quanto mais tempo perdia, mais eu queria perder.
Podia ter sido muito, podia ter sido tudo, podia ter sido pouco, podia não ter sido nada... Podia ter sido qualquer extremo, só não podia ter sido tão mais ou menos.

Mara Morenna

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Famoso "Ricardão"

Toda mulher já teve um Ricardão na vida. Namorado, amigo, ficante... E me parece que eles não são muito diferentes, a não ser a embalagem é claro... rsrsrsrsrs. Há alguns dias atrás eu vi um texto de Martha Medeiros numa página em homenagem a ela, onde fala exatamente de um "Ricardo". Nos comentários percebi que muitas mulheres se identificaram muito com o texto, então resolvi postá-lo aqui no blog. Se você também se identificar com esse texto, não hesite em comentar. Se você for um Ricardo e quiser protestar (rsrsrsrs) sinta-se à vontade também.


“Rique,

há dois anos que eu pareço um disco riscado, repetindo sempre a mesma coisa, que eu gosto de você mas não gosto do seu esnobismo, gosto de você mas não gosto do seu jeito escorregadio, gosto de você mas não gosto da sua vaidade.
Estou sempre falando as mesmas palavras, e a gente vai se desencontrando, se desentendendo, seja no silêncio ou na repetição, nunca se afastando realmente e também nunca juntos, uma lenga - lenga que pode até parecer amor – eu acreditava que fosse amor, por isso passei esses dois anos controlando meu tom de voz, acendendo uma vela pra deus e outra pro diabo, querendo você perto e longe ao mesmo tempo, então repetia: gosto disso em você mas não gosto daquilo, sempre com medo de que você se irritasse de vez e fosse embora, mas com medo também que você ficasse e me fizesse sofrer mais e mais. Dois anos, Ricardo, pedindo pra você me deixar em paz e nas entrelinhas gritando: me ame, seu idiota! E você surdo, mudo, cego e burro, desperdiçando o que eu tenho de mais sagrado, de mais inteiro e mais honesto, você sempre foi covarde que eu sei. Covarde. É por isso essa carta agora, Ricardo, para mudar de tom e arriscar, vou dizer o que penso, mas agora sem contemporizar, não mais contrabalançando minha decepção com as coisas que eu gosto em você, vou te dizer apenas o que eu não gosto, e azar se isso nos separar de vez, já não há remendo possível de qualquer maneira.

Te acho não só covarde, como mascarado, ainda que bem disfarçado por trás da sua lábia e de suas inócuas intenções. Se você tivesse 17 anos, ainda dava pra entender essa sua fixação em seduzir por seduzir, para colecionar troféus. Todo mundo passa por uma fase de auto afirmação, mas aos 35, Ricardo, já era hora de você parar de blefar e investir em algo real, um sentimento que preencha a vida, você acha isso tão aprisionante? Pois prisioneiro você já é desta tua auto imagem que propaga para qualquer rabo de saia e que é falsa, incipiente, ridícula. O que adianta fazer as mulheres caírem aos teus pés por dois ou três meses, se depois elas descobrem o engodo e passam a desprezá-lo? Se você fosse orgulhoso mesmo, reduziria o número de vítimas e aumentaria o número de amigas. Porque se continuar sendo moleque vai morrer bem sozinho, ou com alguma namorada de ocasião, dessas que não vão lhe dar filhos nem justificar seus dias gastos. Você gasta seus dias com o supérfluo. E se acha tão profundo.

“Outra apaixonada”, você deve estar pensando. Não negarei, sou mesmo apaixonada por você, mas menos, bem menos do que já fui, pois já consigo enxergar quem você é, e quem você pensa que é, duas figuras bem distintas, pois você pensa que é especial, e não passa de uma caricatura de homem, de um disfarce bem feito, um boneco de cera daqueles que a gente diz, nossa, mas é igualzinho a um ser humano, só que olhando de perto a gente vê que a expressão não muda, o olhar não brilha, a pose é sempre a mesma.
Pobre você, don juanito, que teve mulheres bacanas na mão, não só eu, mas eu inclusive. Você que podia ter dado um basta nas suas pretensões e ter vivido um caso de amor igualzinho aos de seus amigos, bem demorado e bem curtido, mas ora, imagina, Ricardo Saraiva Paz Vieira, ilustre ninguém, não podia ser mais um, tinha que se destacar, e se destacou como um pretenso bom partido, enquanto não passava de um produto mal acabado de gente. Você prometia. Tinha, e tem, potencial. Só não sabe o que fazer quando chega a hora de se entregar, prefere escapulir feito um rato.

Rique, magoei você o suficiente para me odiar, para me chamar de maluca, para tripudiar sobre meu destempero? Não me importo, você pode estar menosprezando minhas palavras agora, mas elas vão entrar uma por uma na sua cabecinha, vão morar aí por alguns dias até que você consiga mais duas ou três trouxas que o distraiam e o façam esquecer de quem você realmente é, um arremedo de homem, um protótipo, um rascunho, isso, você é o rascunho do homem perfeito, um layout, fica sempre devendo a finalização, o mulherio paga e não te recebe, você deve achar isso muito divertido. Mas, escuta, o único palhaço aqui é você, porque no final das contas é você que resta sempre sozinho, sem uma história verdadeiramente bonita pra contar.
Hoje não tem quero e não quero, gosto e não gosto, acabaram-se os meus cuidados com você, o morde e assopra, você não merece meu carinho, meus elogios, meu apoio, nunca soube retribuir nem agradecer, considera-se merecedor de todos os afetos, quem é você, um príncipe escondido nesse quarto e sala em que vive, dirigindo seu Corsa como se fosse uma nave espacial, olhe bem pra você, nem bonito você é, nem bonito.

É o homem que eu amo, e isso lhe deveria servir. Mas, se não serve, se você dispensa esse tipo de sentimento barato, fazer o quê?

Para mim é sofrimento localizado, e demorado, admito, mas não vai durar tanto quanto a sua catástrofe emocional, que é pra sempre.

Cecília”



Martha Medeiros

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Por enquanto é só

Todas as palavras, foram só palavras. Delas só existem a lembrança...
A história não existiu, a expectativa não aconteceu, tudo de antes se perdeu...
O que achava muito na verdade não era nada, e o nada nem tanto...
E por enquanto, é só.

Mara Morenna
10/11/2012

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Pra onde vai?

Sempre insisti comigo mesma que não seria assim. De vez em quando sentia as coisas começando a mudar de lado, aí eu mesma vinha e mudava tudo. E foi sendo assim desde que essa história maluca começou: me adiantava pra manter as coisas como achava que queria, mas não percebia que sempre deixava uma ponta solta. Aí elas foram se atando, se arrumando e deixando tudo mais atrapalhado do que já estava. Toda aquela proatividade foi pelo ralo; só serviu pra adiar toda essa parafernalha que tentei evitar. Será que alguém pode pelo menos dizer pra onde isso tudo vai?

Mara Morena
08/11/2012

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O beijo que não se esquece...

"O beijo que abre as comportas, as pernas, o depois. Eu estava diante de uma homem que não estava à minha altura, mas que media meu tamanho. Tive a impressão de que o canto da minha boca sorria diante do desespero, não tinha controle sobre meus espamos, tremia. Coloquei a mão em seu peito, não se aproxime, sabendo que ele não obedeceria, torcendo para que não obedecesse".

Martha Medeiros

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Esperança


Vou te falar viu, esse negócio de esperança é uma parada muito chata cara. E aquele ditado que diz: "a esperança é a última que morre"? Eu espero que a minha sogra nunca se chame esperança, na moral mesmo, por que a esperança é aquela coisa que quando tá na beira da morte começa a se recuperar sabe como é? E sogra é uma coisa mil vezes pior...
Pois então, eu poderia listar aqui uns 50 tipos diferentes de esperança. Essa daí parece vírus imunodeficiente, aquele que quando entra no corpo da pessoa se multiplica de formas diferentes, sacou? Não dá pra se libertar mais, principalmente daquele tipo de esperança, o... Volte pra mim level 5.000. Quando você briga com a pessoa e depois fica esperando que ela milagrosamente ache seu número de telefone perdido num pedaço de papel e ligue pedindo pra te ver novamente. Ou quando fica esperando se bater com essa mesma pessoa na rua e ela te peça com os olhos brilhando pra que você volte. E quando fica imaginando o que  a (o) bendita (o) pensa quando vê você passar. É tenso demais!
E vou te contar uma coisa: é super irritante sentir alguém passar na rua usando aquele perfume-de-revista-de-consultoria e pensar que é você por que o mesmo cheiro você deixou grudado na minha pele *há algum tempo* pra esperança minha.
Pior que ontem esse cheiro de história velha estava bem perceptível em mim. Logo ontem, que eu fui avaliar o começo de uma história nova, isso me acontece. A história até que não é tão ruim assim, mas o cheiro de coisa velha atrapalhou o andamento da instalação nova, e pensando bem, eu tava mesmo era a fim de voltar praquele quarto que hoje tá cheio de tralhas e coisas velhas que têm o mesmo cheiro que você deixou grudado em mim, só que agora eu durmo num quarto novinho, sem nada ainda, só pintado de esperança. O que eu espero mesmo agora, é colocar a mobília nova e pintar essas paredes de outra coisa...
Mara Morenna
18/06/2012

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Desesperança


É esse vazio, essa casa de paredes brancas contendo apenas um eco que se repete diversas vezes e vai se enfraquecendo, é esse nada representado nessas paisagens pintadas e essas folhas de caderno em branco que me fazem gritar na esperança inútil  de encontrar alguém, encontrar você. Mas não encontro nada além da minha voz ecoando,  sumindo esperançosa...

Mara Morenna  10/06/12

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Pôr do Sol...


Às 17:15 da tarde
Está o sol a se despedir
Faz uma espetacular despedida
E rapidamente está a partir...

Ao fim da tarde de um coração
Existe alguém a ir
Sem despedir-se vai em direção
Ao caminho de quem quer fugir

Quando a estrela - mor vai-se
Fica em mim uma felicidade
Da certeza de que ela parte
Mas logo está a retornar-se

Se alguém insiste em ir embora
O coração por um instante chora
Logo após o orgulho vem
E a tristeza logo se contém

Ó estrela de Minh' alma que agora se distancia
Não te demores em voltar
Pois a cada minuto meu ser se agonia
Peço -te que venhas logo para meu ser alegrar ...

Mara Morenna

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