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Incurável.

Poderia ter muito a dizer agora, mas penso que não seria necessário. Essa não é uma história igual às outras...
No fundo, eu sei que tenho feito tudo errado. Me apaixonando de novo, e por quem não devo; esquecendo as coisas, anulando compromissos, me matando aos poucos e cada vez mais...
Já faz um bom tempo que voltei para aquele quarto velho cheio de tralhas e impregnado com seu cheiro. Confesso que estava sentindo muita falta dele, mas agora já não tenho tanta certeza se deveria. Aliás, minto, tenho certeza sim. Se não voltasse, estaria em falta comigo mesmo. E daí se a gente não se trata como antes, não se fala como antes, não se cumprimenta como antes? Mesmo tudo continuando mais ou menos, o importante é que aproveitamos tudo até onde conseguimos - e eu sei que podemos conseguir muito mais.
É uma doença, reconheço. Mais um item para minha lista de erros. O que estou tentando fazer agora é me manter apenas com as lembranças e - quem sabe - amenizar os sintomas...

Mara Morenna
10/12/12

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Uma poesia para começar dezembro.

Quando começo dezembro,

Penso no ano inteiro
Dezembro tem essa mania
De trazer à tona tudo que tem direito.

Com ele tudo vem cheio
De amor, de hipocrisia e até de medo
Do gosto que tem esse biscoito sem recheio
Talvez até tenha um quê de azedo.

Mas dezembro traz consigo
Uma nostalgia
Que ora digo,
Bate a qualquer hora do dia!

Uma observação faço agora:
Dezembro quando chega,
Traz tudo de última hora
E quando se vai, deixa tudo de bom,
Mesmo que eu não mereça... 

Mara Morenna

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Nós...

Somos um caso perdido
Seres sem juízo
Um acerto leva ao erro
E um erro nem sempre um acerto.

A poesia e a prosa
Misturam-se tanto
Que embaraça, enrosca
Um caso perdido
De quem será esta aposta?
Que seja de alguém que desfaça este conflito!

Mara Morenna


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Qualquer extremo serve...

Madrugada...
E eu aqui tentando tirar as marcas do meu corpo, a lembrança dos meus pensamentos, e jogar tudo no vento.
Não foi paixão, nem amor, nem tesão. Foi perda de tempo, e, quanto mais tempo perdia, mais eu queria perder.
Podia ter sido muito, podia ter sido tudo, podia ter sido pouco, podia não ter sido nada... Podia ter sido qualquer extremo, só não podia ter sido tão mais ou menos.

Mara Morenna

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Famoso "Ricardão"

Toda mulher já teve um Ricardão na vida. Namorado, amigo, ficante... E me parece que eles não são muito diferentes, a não ser a embalagem é claro... rsrsrsrsrs. Há alguns dias atrás eu vi um texto de Martha Medeiros numa página em homenagem a ela, onde fala exatamente de um "Ricardo". Nos comentários percebi que muitas mulheres se identificaram muito com o texto, então resolvi postá-lo aqui no blog. Se você também se identificar com esse texto, não hesite em comentar. Se você for um Ricardo e quiser protestar (rsrsrsrs) sinta-se à vontade também.


“Rique,

há dois anos que eu pareço um disco riscado, repetindo sempre a mesma coisa, que eu gosto de você mas não gosto do seu esnobismo, gosto de você mas não gosto do seu jeito escorregadio, gosto de você mas não gosto da sua vaidade.
Estou sempre falando as mesmas palavras, e a gente vai se desencontrando, se desentendendo, seja no silêncio ou na repetição, nunca se afastando realmente e também nunca juntos, uma lenga - lenga que pode até parecer amor – eu acreditava que fosse amor, por isso passei esses dois anos controlando meu tom de voz, acendendo uma vela pra deus e outra pro diabo, querendo você perto e longe ao mesmo tempo, então repetia: gosto disso em você mas não gosto daquilo, sempre com medo de que você se irritasse de vez e fosse embora, mas com medo também que você ficasse e me fizesse sofrer mais e mais. Dois anos, Ricardo, pedindo pra você me deixar em paz e nas entrelinhas gritando: me ame, seu idiota! E você surdo, mudo, cego e burro, desperdiçando o que eu tenho de mais sagrado, de mais inteiro e mais honesto, você sempre foi covarde que eu sei. Covarde. É por isso essa carta agora, Ricardo, para mudar de tom e arriscar, vou dizer o que penso, mas agora sem contemporizar, não mais contrabalançando minha decepção com as coisas que eu gosto em você, vou te dizer apenas o que eu não gosto, e azar se isso nos separar de vez, já não há remendo possível de qualquer maneira.

Te acho não só covarde, como mascarado, ainda que bem disfarçado por trás da sua lábia e de suas inócuas intenções. Se você tivesse 17 anos, ainda dava pra entender essa sua fixação em seduzir por seduzir, para colecionar troféus. Todo mundo passa por uma fase de auto afirmação, mas aos 35, Ricardo, já era hora de você parar de blefar e investir em algo real, um sentimento que preencha a vida, você acha isso tão aprisionante? Pois prisioneiro você já é desta tua auto imagem que propaga para qualquer rabo de saia e que é falsa, incipiente, ridícula. O que adianta fazer as mulheres caírem aos teus pés por dois ou três meses, se depois elas descobrem o engodo e passam a desprezá-lo? Se você fosse orgulhoso mesmo, reduziria o número de vítimas e aumentaria o número de amigas. Porque se continuar sendo moleque vai morrer bem sozinho, ou com alguma namorada de ocasião, dessas que não vão lhe dar filhos nem justificar seus dias gastos. Você gasta seus dias com o supérfluo. E se acha tão profundo.

“Outra apaixonada”, você deve estar pensando. Não negarei, sou mesmo apaixonada por você, mas menos, bem menos do que já fui, pois já consigo enxergar quem você é, e quem você pensa que é, duas figuras bem distintas, pois você pensa que é especial, e não passa de uma caricatura de homem, de um disfarce bem feito, um boneco de cera daqueles que a gente diz, nossa, mas é igualzinho a um ser humano, só que olhando de perto a gente vê que a expressão não muda, o olhar não brilha, a pose é sempre a mesma.
Pobre você, don juanito, que teve mulheres bacanas na mão, não só eu, mas eu inclusive. Você que podia ter dado um basta nas suas pretensões e ter vivido um caso de amor igualzinho aos de seus amigos, bem demorado e bem curtido, mas ora, imagina, Ricardo Saraiva Paz Vieira, ilustre ninguém, não podia ser mais um, tinha que se destacar, e se destacou como um pretenso bom partido, enquanto não passava de um produto mal acabado de gente. Você prometia. Tinha, e tem, potencial. Só não sabe o que fazer quando chega a hora de se entregar, prefere escapulir feito um rato.

Rique, magoei você o suficiente para me odiar, para me chamar de maluca, para tripudiar sobre meu destempero? Não me importo, você pode estar menosprezando minhas palavras agora, mas elas vão entrar uma por uma na sua cabecinha, vão morar aí por alguns dias até que você consiga mais duas ou três trouxas que o distraiam e o façam esquecer de quem você realmente é, um arremedo de homem, um protótipo, um rascunho, isso, você é o rascunho do homem perfeito, um layout, fica sempre devendo a finalização, o mulherio paga e não te recebe, você deve achar isso muito divertido. Mas, escuta, o único palhaço aqui é você, porque no final das contas é você que resta sempre sozinho, sem uma história verdadeiramente bonita pra contar.
Hoje não tem quero e não quero, gosto e não gosto, acabaram-se os meus cuidados com você, o morde e assopra, você não merece meu carinho, meus elogios, meu apoio, nunca soube retribuir nem agradecer, considera-se merecedor de todos os afetos, quem é você, um príncipe escondido nesse quarto e sala em que vive, dirigindo seu Corsa como se fosse uma nave espacial, olhe bem pra você, nem bonito você é, nem bonito.

É o homem que eu amo, e isso lhe deveria servir. Mas, se não serve, se você dispensa esse tipo de sentimento barato, fazer o quê?

Para mim é sofrimento localizado, e demorado, admito, mas não vai durar tanto quanto a sua catástrofe emocional, que é pra sempre.

Cecília”



Martha Medeiros

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Por enquanto é só

Todas as palavras, foram só palavras. Delas só existem a lembrança...
A história não existiu, a expectativa não aconteceu, tudo de antes se perdeu...
O que achava muito na verdade não era nada, e o nada nem tanto...
E por enquanto, é só.

Mara Morenna
10/11/2012

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Pra onde vai?

Sempre insisti comigo mesma que não seria assim. De vez em quando sentia as coisas começando a mudar de lado, aí eu mesma vinha e mudava tudo. E foi sendo assim desde que essa história maluca começou: me adiantava pra manter as coisas como achava que queria, mas não percebia que sempre deixava uma ponta solta. Aí elas foram se atando, se arrumando e deixando tudo mais atrapalhado do que já estava. Toda aquela proatividade foi pelo ralo; só serviu pra adiar toda essa parafernalha que tentei evitar. Será que alguém pode pelo menos dizer pra onde isso tudo vai?

Mara Morena
08/11/2012

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O beijo que não se esquece...

"O beijo que abre as comportas, as pernas, o depois. Eu estava diante de uma homem que não estava à minha altura, mas que media meu tamanho. Tive a impressão de que o canto da minha boca sorria diante do desespero, não tinha controle sobre meus espamos, tremia. Coloquei a mão em seu peito, não se aproxime, sabendo que ele não obedeceria, torcendo para que não obedecesse".

Martha Medeiros

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